sexta-feira, 10 de maio de 2013

Nas janelas em que finjo ver o lado de fora.














Eu vejo tudo ao meu redor,
Mas finjo que não vejo,
Olho para o lado dissimulando,
Esperando que ninguém tenha notado que vi.
Nas janelas em que finjo ver o lado de fora,
Não olho nada, apenas disperso.
O mundo já não vale nada,
Meu mundo não vale nada,
Nenhuma olhadela sequer,
Nenhum disparate sequer.
Prefiro o jogo de empurra-empurra,
Prefiro final de novela,
Divirto-me com pão e circo,
Distraio-me com sangue e favela.
É tudo tão distante e fictício,
É tudo tão fora da realidade,
Não me atinge se atinge o próximo,
Contanto que não seja eu.
Política do egocentrismo normativo,
Normal...é assim mesmo não é?
O importante é que meu time ganhou!
O importante é que meu jogador foi escolhido o melhor do ano!
Importante é que a mocinha teve um final feliz,
E o vilão da novela se deu mal,
Ai sim, pelo menos lá, ele se deu mal.
Importante mesmo é o Brasil é uma democracia.
Enquanto isso, eu, sem cerimônias, 
Olho para o outro lado,
Finjo ver o que há do lado de fora da janela.
Por favor, não me incomode com estórias irrelevantes.
O mundo da corrupção não tem mais solução,
Então não me venha com banalidades,
E as mesmices de sempre, por que sabe,
Eu estou ocupada, vendo as notícias das celebridades!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

DISSABORES




Perco-Me Entre Palavras
Afogando-Me Em Dizeres Monossilábicos
Engulo Este Mar Salgado De Dissabores

Entre Braçadas Largas
Nado Contra Esta Corrente
Que Segue Em Frente Sem Saber Pra Onde

Sinto-Me Só De Tão Mal Comboiada
Não Sigo A Boiada
Sou Gado Doente Tentado No Rio
Deixado As Piranhas, Mais Nada.

Abro Caminho Para Os Imbecis
Arredo Na Foice, Na Força, Na Fúria.
Sou Arremedo De Gente Não
Sou Indigente Inteligente

Abocanho A Vida De Qualquer Maneira
Desprovido De Graça Peço Clemência
Que De Todo Pecado A Minha Demência
É Viver No Mundo De Ideias E Amores

Que Triste Caminho Este Meu
Sair Da Ignorância,
O Que Deveria Ser Gratidão, É Pesar

Aflijo-Me Demasiado
Angustia-Me Ser Assim
Que De Tanto Amofinar
Penso Que A Estupidez É Benção

A Bestialidade É Infinita
Quero Crer Que A Sabedoria Também
Em Um Momento De Fé Infinda
Aguardo O Fenecer.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Atriz



Preciso tanto, tanto disto,
Agora pai, nada vai me impedir.
Agora vô, não posso desistir.
Veja quantas coisas deixei para trás.
E só agora me sinto completa
Por que não há nada mais que eu possa fazer
Sinto uma paixão que me move
Leva-me a viver toda  alegria
Não devo nega-la e não quero
Sim, são estas coisas da vida que todos têm medo.
Sei que vocês também temiam
Mas a vida mostra quanta infelicidade senti ao abandonar minha paixão,
E como a vida me leva sempre de volta a ela.
Entra ano, sai ano e tudo que sei é que me sinto atraída por esta força.
Ela me resgata de um sofrimento profundo
E mostra novamente o sentido de tudo ao meu redor.
As carreiras normais me deixam entediada
Encadeada a um abismo tão fundo tão grande
Que me sinto com nó na garganta
Como se a qualquer momento a corda no pescoço apertasse
E a cadeira abaixo dos meus pés fosse cair.
E o que me trás de volta a vida?
O que me devolve toda a alegria e satisfação?
Descobri que não há dinheiro no mundo que pague por isso
Amar o que se faz, ter prazer em trabalhar em algo que me supera
Transcende-me, me ilumina, me guia.
E todo o dinheiro no mundo, não pode pagar por uma vida de frustrações.
Meu desejo é tão profundo, tão enraizado.
Que faz parte do que eu sou
Não posso negar quem sou
Devo me aceitar, devo me entregar a esta verdade.
E quem poderá me julgar?
Quem poderá dizer de insanidades?
Aqueles que vivem uma vida sem sentido não terão direito a palavra,
Pois cada sonho abandonado, não é um pedaço seu deixado para trás?
E ao fim da vida, o que restou desta gente que afogou seus sonhos?
Não sei viver assim.
Quando a ceiva da vida retomou minhas veias, sabia que não poderia viver de outro jeito.
O que vier com minha decisão, saberei aguentar as consequências,
Mas não quero aceitar a infelicidade, o fracasso pessoal, a tristeza maciça.
Quero ser engolida por inteiro por minha paixão,
Quero ser uma extensão do que ela é
Quero repercutir, expandir, extrapolar.
Ser quem sou, aceitar esta minha verdade absoluta, arraigar esta necessidade absurda de ser.
Eu me fiz arte.
A Arte me fez assim.
Somos uma coisa só, inseparáveis.
Não existo sem o palco, não existo sem texto, sem figurino, sem luz...
Sem ela sou um monte de carne andando por ai sem uma alma,
Não posso ser um saco de ossos e músculos,
Preciso existir.
E eu sei.
Só permaneço enquanto o Teatro viver em mim.
Somos a mesma coisa
Somos um universo único de possibilidades.
Não sabemos como existir de outra forma.
E não vamos viver de outra forma.
Entregar- me a esta vida, é a única forma que sei de existência,
A única que me permito ser
A única que sei que sou.
Eu sou Teatro, apenas isso e tudo isso sou eu!
Peço que me aceitem, onde estiverem,
Que me abençoem e não temam por mim.
Apenas me aplaudam a cada encenação
E se orgulhem do que sou,
Por que eu me sinto orgulhosa!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Meu Coração













Meu coração para...
Diga-me quando posso voltar a viver?
Quando vou encontrar outra vez essa sensação?
Esta que me deixou repleto.
Meu coração para...
Diga-me quando posso voltar a sentir?
Quando posso ver as cores novamente?
Quando posso sentir os odores?
Quando não vou sentir mais as dores?
Meu coração para...
Para...
Par...
Pa...
p...
...



Agora existe um vazio tão grande
Agora não existe nada
Um buraco
Uma cava
Uma treva
Uma queda
Meu coração...
não existe

Sou o vazio
Dentro de um vaco
Incluso no antro
Do vago
Meu coração...

Para!

Tuntum tuntum tuntum
Meu...
Amor...
Viva...
Tudo...
Sempre...
Agora...
Dor...
Um dia...
Amor...
Meu coração pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Volupia


Antes de dormir cubro meu corpo de luxuria,
Pois o que me falta não é erotismo.
O que me falta é um corpo quente
E um musculo ereto para me domar.
Antes de tudo sou mulher,
Sou gata no cio.
Sou a necessidade de copular,
Sou animal.
Eu deito ardendo, o fogo me devora.
Não finjo ser cheia de pudor,
Antes da sociedade, antes dos modos civilizados,
Existe a natureza que me leva.
O imoral é o que eu chamo de natural.
Não faço parte da sociedade beata.
Eu quero êxtase,
Quero suor escorrendo dos corpos,
O lençol ondulando na cama
E a boca seca dos gemidos.
Quero o musculo dos membros contraindo,
E os quadris frenéticos se encaixando.
Quero peito de homem e seio de mulher
Quero salivas misturadas
Quero seiva do homem em mim
Quero gozo sem dó.
Sem frescuras quero ser jugulada,
Sussurros no ouvido até que eu não possa mais.
Quero um corpo tatuado no meu.
Sexo puro, para apaziguar uma guerra em mim.
Eu quero... Não tenho!
Meu corpo ainda arde e o fogo ainda me devora,
Antes de dormir cubro meu corpo de luxuria,
Pois o que me falta não é erotismo.
O que me falta...
Eu me viro!