domingo, 28 de novembro de 2010

ESCREVER...


Escrever é um ato de liberdade, de rebeldia e de insatisfação.
As palavras em sua maioria, não podem descrever os sentimentos,
por mais que tentem, não podem.
O esforço do escritor é em vão.
Para os que lêem, sim, há uma satisfação,
encontram ali, naquelas palavras o que eles próprios não conseguem descrever, mas para os que escrevem, sempre, sempre falta algo que ficou por dizer, que as palavras não souberam traduzir, algo que deixa uma imensa vontade de escrever de novo, tentar de novo, ainda que todas as vezes, está insatisfação persista.
As palavras, estas traidoras, e infames.
Elas se ajustam e reajustam, e brincam com as mentes, elas riem e se desenrolam como bem entendem, sem o menor pudor, se fazem entender, sem obedecer as quem escreve.
Têm alma e vida.
São bandidas, e em tantas outras vezes, são as que acalentam as nossas noites.
Seguram as nossas fúrias e injurias.
Atiramos-as em papeis em branco, para preencher aquilo que nos falta, ou de outra maneira, as devoramos, para o mesmo fim, preencher aquilo que nos falta.
Em mim falta tanto, que faço ambos.
As devora, para depois regurgita-las...
E elas sempre me faltam....insaciável está fome e está insatisfação!
Insaciável!

sábado, 17 de julho de 2010

A PAssos Largos



Eu estou caminhando.
Estou caminhando a tanto tempo,
mais eu não sei para onde.
Vou para onde meus pés me levam,
mais eles não me levam a lugar nenhum.
Cheguei aqui.
Agora farei o caminho das balzaquianas,
mais elas estão perdidas utimamente,
assim como eu estou.
Seria tão mais simples,
Em vez de buscar o caminho
olhar o caminho
curtir o caminho
sentir o caminho, o caminhar.
Mais estou a passos largos,
estou buscando dentro do caminho
"O Caminho"
Aquele onde eu encontro,
Me encontro,
A passos largos!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rogai por Nós



Rogai por Nós,
Com veemência
ou com demência
Rogai com fervor
ou com pavor.
Rogai pôs Nós
todos nós que;
não pecamos;
não gostamos;
não vivemos;
não ousamos
Rogai, sim, e muito, e mais
Por que nós sim merecemos misericórdia
nós sim merecemos perdão,
Nós que não sabemos viver
Que somos fantasmas de osso e carne.
Rogai...
Rogai Senhor
Rogai Senhora
Pois somos nós os aflitos
e somos nós os desesperados
das preces cansadas e insânas
que suplicam nas brumas
nas runas, nas camas,
Nas vidas vazias.
Suplicas que não sobem aos céus
e pairam como uma grossa nuvem densa sobre o ar
Choramos lágrimas de paúra
Gritamos sons desconcertantes
No fim
Abraçamos nossos próprios abraços
Quedamos nossas lamurias
Cicatrizamos nossos olhos feridos
E Rogamos....
Adjuramos...
mostra sua face
Mostra para crer.




quinta-feira, 4 de março de 2010

A Mão



A mesma que segura o copo de leite,

Também segura os fartos seios

entre gemido e sussurro

que acabem no escuro do quarto,

sozinha....

A mão que abençoa a casa com o trabalho

e a comida que dele provem,

é a mesma que castiga o corpo

com doses de prazer e dor.

Prazer em todas as partes intimas

ínfimas, indignas, infinitas...

e dor em toda a parte racional,

radical, rarefeita, racionada.

A Mão

em letra maiúscula para impor

sua importância

e a sua culpa...

Sem piedade

Para puni-la por ser assim

boa demais

com o corpo que padece de um mal

libidinoso, lascivo, dissoluto

A Mão Voluptuosa,

Lubrica.

A Mão santa.