quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Limpeza


Estou arrumando o quarto;
Tirando lembranças do armário;
Poeiras, badernas, trapos;
Sem reclamações;
Esperanças
Arrumando gavetas, sapatos;
Vivenciando antigas memórias
Varrendo o que ficou para trás
Limpando o passado
Abrindo caminhos
Não há poema e não há rima
Não há estórias e nem histórias
Apenas roupas apertadas
Que já não me servem mais
Apenas deselegância
A vida é nova;
Todos os dias, as horas;
A possibilidade das mudanças é agora,
Passou;
Passou de novo
Agarrei-me a esta
Mais lá no quarto;
Viva e bem viva esta a bagunça;
Esperando uma solução
Não sei dar soluções
Ainda não sei
O que possibilita a renovação?
O que eu devo trazer que eu não tenha?
Lá eu sei, não há ordem;
Não a espaço, não há.....
Arrumar meu quarto, meu armário;
É muito mais que apenas abrir as portas
É uma vida nova.
Por isso esta tudo no corredor,
Aguardando suas novas posições
Enquanto isso o quarto, o armário;
O guarda-roupa, a sapateira;
Permanecem insistentemente vazias
Sem roupas para guardar não há bagunça,
E cada um deles perde seu valor
E cada um deles espera por um novo objetivo
Assim como eu
Enquanto eles estiverem assim
Consigo parar para organizar as idéias
Mesmo que os meus corredores da casa estejam estreitos
Meu quarto esta cheio de nada
Meu guarda roupas esta nu.
A minha voz ganha amplitude
Pois tudo é eco no vazio do meu quarto
As portas que devo abrir
Fazem-me pensar que temo o novo
E eu o temo mesmo, não devo negar;
Mais uma hora ou outra terei de enfrentar
A minha nova realidade
Por mais que me doa;
Por mais que eu tema
Por mais eu teima em querer continuar como estou
A vida anda, e eu não posso ficar parada;
A minha limpeza
As minhas desmazelas;
A minha felicidade
Dependem da faxina que estou fazendo
E isto é mais difícil do que eu supus.

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